No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.
Trecho de Felicidade Clandestina
Depois de muito navegar num mar suave foi à sua casa apressadamente. Pelos detalhes de Clarice percebemos que a sua amiga era mais rica que ela. Morava numa casa e não num sobrado. A menina não a convidou para entrar e não poupou-lhe o sofrimento que já iniciava de só esperar na porta e não ser convidada para entrar. A menina muito calma informou-lhe que o livro havia sido emprestado e que voltasse no dia seguinte. Que decepção para uma leitora que navegou tanto num mar tão suave. Mas ela era forte, recomeçou então a sua caminhada. Pulando como de costume seguiu seus passos esperando pelos dias seguintes que seriam mais tarde a sua vida inteira.

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