
Joguei o cigarro aceso para baixo, e recuei um passo, esperando esperta que nenhum vizinho me associasse ao gesto proibido pela portaria do edifício. Depois, com cuidado, avancei apenas a cabeça, e olhei: não podia adivinhar sequer onde o cigarro caíra. O despenhadeiro engolira-o em silêncio. Estava eu ali pensando? Pelo menos pensava em nada. Ou talvez na hipótese de algum vizinho me ter visto fazer o gesto proibido, que sobretudo, não combinava com a mulher educada que sou, o que me fazia sorrir.
Trecho de A Paixão Segundo G.H
Podemos ver neste trecho um pouco da realidade de Clarice como humana, mas afinal de contas ela era humana. Estava ela na cobertura do seu apartamento fumando e de repente ela joga o cigarro acesso para baixo. Ela fez esse ato, mas sabia que era errado. Mas mesmo sabendo fez e sem se preocupar com muita coisa apenas com o porteiro e os vizinhos. Ela era uma mulher que todos a conheciam como uma pessoa bem certa, mas ela não era. Tinha lá os seus defeitos e para não mostrá-los as pessoas fazia tudo escondido. Ela era uma pessoa muito educada, pelo menos os vizinhos a viam assim. Para ela era um gesto proibido, que sobretudo, não combinava com a mulher educada que ela era.
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