sábado, julho 23

Uma vez irei...


Uma vez irei. Uma vez irei sozinha, sem minha alma desta vez. O espírito, eu o terei entregue à família e aos amigos, com recomendações. Não será difícil cuidar dele, exige pouco, às vezes se alimenta com jornais mesmo. Não será difícil levá-lo ao cinema, quando se vai. Minha alma eu a deixarei, qualquer animal a abrigará: serão férias em outra paisagem, olhando através de qualquer janela dita da alma, qualquer janela de olhos de gato ou de cão. De tigre, eu preferiria...

Trecho de Clarice

Clarice neste texto descreve como deve ser manuseado o seu espirito. Uma vez ela irá sozinha e sem a sua alma, apenas com o espirito que será entregue a sua família e aos seus amigos, espirito este que merecem algumas recomendações. Para ela é um espírito simples que nada exige e que às vezes se alimenta de jornal. Para Clarice a sua alma nada vale e esta pode ser deixada em qualquer lugar. A sua alma poderia ser abrigada por qualquer animal, mas em especial a de um tigre. Mas porque um tigre e não um gato ou cão? Por que o tigre diferente do gato e do cão vive distante da cidade. A sua alma tinha que está distante de tudo, inclusive da cidade...


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